Conhecer Brasília ou não? Eis a questão!

A porta de entrada para a Chapada dos Veadeiros é Brasília. Os turistas sempre me perguntam se vale a pena ou não dar uma paradinha para conhecer a cidade. A maioria acha que não, então segue aqui a opinião de uma brasiliense. 

 

Para quem acha que Brasília se resume a política, seria como dizer que o Rio de Janeiro se resume ao Cristo; a Bahia ao acarajé e São Paulo à indústria. É difícil uma cidade se resumir a uma característica só. E Brasília não foge à regra. Visitada por arquitetos do mundo inteiro para conferir de perto sua exótica arquitetura, o projeto de Brasília é admirado por uns e criticado por outros. Mas todos concordam que é uma cidade única, diferente de qualquer outra no mundo, e que vale a pena conhecer. 

 

Uma grande vantagem da visita turística a Brasília, é que a maioria dos seus principais atrativos estão concentrados no mesmo lugar, o que torna o passeio rápido e eficiente. Três horas são suficientes para ver o centro sem pressa e marcar ponto nos principais pontos da cidade. Como todos sabem, Brasília tem a forma de um avião, e é no corpo piloto, chamado de Eixo Monumental, que se concentram os prédios mais famosos. 

 

O mais visitado e impressionante é a Catedral, que não perde para outras igrejas renomadas mundo a fora. Dentro, é possível entender melhor a construção atípica e circular. Há uma parede de mármore côncava, onde é possível se comunicar a distância pela engenharia acústica (minha brincadeira preferida na infância quando entrava lá). Outra raridade magnífica da Catedral é a Pietá de Michelangelo, primeira réplica em 500 anos de existência micromilimetricamente igual a original. Chegou a Brasília em 1989 e foi produzida pelo museu do Vaticano, autorizado pelo Papa. Sempre fui apaixonada por essa obra e por tocar os detalhes das veias nas mãos de Cristo, o que não é possível fazer na obra original, que fica no Vaticano. Para completar a beleza da Catedral, os três anjos suspensos sobre o púlpito seriam hipnotizantes se seu olhar não permutasse entre eles e o belo vitral que os contorna. No estacionamento tem várias lojinhas com o artesanato local, feito com os capins do cerrado.  

  

Meu segundo atrativo preferido é o Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, que é um memorial cívico fúnebre para homenagear pessoas brasileiras que, de algum modo, serviram para a maturidade e engrandecimento da Nação. Isso jornal nenhum escreve, né? O Panteão é uma construção bem diferente e bem fotogênica, com um vitral que reflete uma iluminação externa especial na parte da tarde sobre o mural de Tiradentes. É preciso entrar para conferir.  

 

Já o óbvio, pode não ser tão óbvio assim. O Congresso, maior símbolo de Brasília, é sempre mostrado de frente, para noticiar política. Porém, bonito mesmo é ele visto por trás, onde tem um espelho d’água com uma plantação de palmeiras imperiais e de noite é elegantemente iluminado. Para quem gosta de fotografar é um prato cheio. Mas o mais legal do Congresso Nacional para um turista são suas bacias. A bacia para baixo é o Senado e a bacia para cima é a Câmara, sabia? Ok. Mas por que? O Senado representa os Estados e o Distrito Federal, copa para baixo, uma reflexão interna, decisões fechadas. Já a Câmara, representa o povo, copa para cima, uma bacia aberta, decisão de todos. O projeto arquitetônico busca essa simbologia, onde o prédio central com mais de 100m de altura é seu corpo administrativo. 

“Ahh, mas isso não funciona na prática!!!” Tudo bem! O socialismo é lindo e não funciona na prática, por isso vamos voltar ao turismo porque o assunto aqui é férias!

 

Pode parecer um passeio muito incomum, mas visitar a Câmara e o Senado por dentro é algo bem único. A construção é realmente muito diferente, transformando a acústica, a iluminação e a decoração moderna-retrô num ambiente meio psicodélico histórico. A Câmara é bem maior e mais iluminada que o Senado. Porém, por dentro seria fácil confundi-los. Segundo o site do Congresso, o programa de visitas ao Palácio do Congresso Nacional funciona segundas, quintas, sextas, finais de semana e feriados, com entrada gratuita, das 9h às 17h30, com saídas de grupos a cada 30 minutos, a partir do Salão Negro.

 

Também no Eixo Monumental, é possível ver o Memorial JK, Memorial dos Povos Indígenas, a Praça dos Buritis, a Esplanada dos Ministérios, o Teatro Nacional, o Museu Cultural e o Palácio do Planalto. Já a Torre de TV merece um destaque, pois de lá é possível ver a cidade toda do alto, com sua bela praça cheia de fontes e ainda curtir a Feira da Torre, que nos finais de semana é repleta do artesanato e culinária local, com forte influência nordestina. É bem típico de Brasília um almoço em restaurantes como o Xique-xique ou Gibão. 

 

Seguindo um pouco depois do Eixo Monumental, vem a Ponte JK. Com pouco mais de 1km, ela é a terceira ponte a cruzar o Lago Paranoá, um lago artificial concebido em 1894 pela Missão Cruls e concretizado durante o governo Juscelino Kubitschek. À beira do Lago tem o Pontão, com opções refinadas de restaurantes, num belo paisagismo e uma vista agradável. Lugar perfeito para fechar o passeio.

 

Em poucas horas é possível fazer todo esse roteiro de carro. Mas para quem tem muito mais tempo e quer explorar um pouquinho mais a cidade, essa não é a programação da população local. Fique tranquilo que você dificilmente você vai encontrar algum político, já que eles não frequentam os mesmos lugares que os reais moradores da cidade. Aliás, eles ficam muito pouco em Brasília, até porque os políticos nunca são de Brasília, eles são de todos os Estados do Brasil e é para lá que eles voltam. 

 O brasilense frequenta a Água Mineral ou faz pic-nic no Jardim Botânico, anda de bicicleta no Eixão ou no Parque da Cidade nos domingos, curte o pôr-do-sol na Ermida Dom Bosco, um caiaque ou stand up no lago, gosta de comer fora, gosta de barzinho com música ao vivo e de ir ao shopping, como em qualquer capital. A cidade carrega o gosto pelo rock e o reggae: em Brasília nasceram as bandas Natiruts, Legião Urbana, Plebe Rude, Maskavo, Capital Inicial, Raimundos e Alma D’Jem.

Para quem gosta de natureza, Brasília é o coração do cerrado. Para "surfar no céu azul de nuvens loucas da capital do país"é só olhar para cima. O céu de Brasilia é uma beleza à parte, com um pôr-do-sol belíssimo. Os 1.000m de altitude ajudam e a grande concentração de árvores exóticas, como ipês rosa, amarelo e roxo, jacarandás, flamboyant e paineiras colorem a cidade em cada época do ano.

 

Para quem gosta do misticismo da Chapada dos Veadeiros e de ufologia, Brasília tem seu lado espiritual. Como dizia Renato Russo, Brasília guarda “coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação”. Um lugar admirado pelos míticos é o Templo da Boa Vontade, um centro ecumênico que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano e tem um belo e polêmico cristal em seu topo. Já o Santuário Dom Bosco é um dos cartões postais do lado espiritual da cidade. Para os ufólogos, vale a pena lembrar que o símbolo de Brasília são representados por 2 E.T.s, os 2 candangos, o Ginásio Nilson Nelson é um disco voador pousado e o Plano Piloto é uma pista de pouso. Para quem duvida disso tudo, só fazendo uma visitinha a Brasília para conferir.

Todas as fotos são de Josie Martins 

 

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